segunda-feira, 19 de outubro de 2015

"O PROFISSIONAL"



Por Sálvio Siqueira


                                                             O Pistoleiro Catanã
                                               blogdomendesemendes.blogspot.com






                                     Tendo duas identidades, Francisco de Assis Brasil e/ou Joaquim Leandro Maciel, aterrorizou três Estados nordestinos com seu ‘trabuco’. O “Profissional” era natural de São João do Rio do Peixe, no Estado paraibano. Essa, próxima a Cajazeira,  que já vivia alarmada pelas façanhas do afamado pistoleiro Zé de Cazuza. Talvez, o mesmo tenha servido de exemplo para o jovem.
                                     Aos dezessete anos de idade ‘derruba’ seu primeiro alvo. Assassina o matador de seu pai, que tinha sido morto numa questão por terras. Foge, e três anos depois já exerce a função das armas por dinheiro. Daí por diante, tendo a cobertura dos ‘coronéis’, dos fazendeiros e dos políticos mata cada vez mais. ‘Trabalhando’ para quem lhe pagasse.
                                      Apertado pelo cerco policial na Paraíba, procura abrigo em terras mais a oeste e, trocando o nome, passa a residir em Valença, PI. Naquela localidade, para a poeira baixar, ele passa certo tempo quieto. Trabalhando na roça, como pequeno agricultor.
                                       Arranca dos pés e parte para o Ceará, fazendo moradia em Crateús. Nessa localidade, segundo o senhor “Jafé Gonçalves de Oliveira, 81 anos, morador antigo daquele município, foi pago pelos Belos, família de poder aquisitivo em Novo Oriente/CE, para matar o comerciante Raimundo Ximenes”. Ximenes morava na Capital maranhense, então chegando lá, Catanã passa por vendedor de jóias para ter o pé de abater sua vítima.
                                       Algo, muito estranho nesse ‘serviço’ acontece com o pistoleiro. Sondando o ambiente, calculando ângulos, procurando a melhor rota de fuga e... tudo o mais, ele passa dias a observar seu ‘desafeto’, pois dizem que ao ver a foto da ‘encomenda, já ficava com raiva, doido para dar um pipoco na pessoa. Acontece que Ximenes é um trabalhador afinco, muito solícito com as pessoas e, não se sabe por quê, o pistoleiro resolve não fazer o tratado. Se a chega daquele que deveria dar cabo e conta-lhe tudo. O senhor Ximenes, pede que ele não mate o mandante. Isso dar raiva no pistoleiro, mas, vai embora.
                                       Estranhíssima essa atitude tomado pelo pistoleiro em relação a sua vítima, pois, atirava em muitas delas pelo prazer de “ver a capemba do olho virar”.
                                       “As histórias que envolvem a vida criminosa de Catanã são vastas. A seqüência de crimes atribuídos, às vezes ceifando a vida do próprio mandante, quando percebia traição, o deixa em torno de um misto de Billy The Kid e Lampião”( www.meionorte.com)



Transcrição:


“Na Praça Rio Branco, em Teresina/PI, logradouro que serve de encontro de aposentados, artistas populares e de vendedores ambulantes, tive a oportunidade de ouvir várias histórias ao seu respeito, uma delas comentou o senhor Abílio Pereira de Sousa, servidor público aposentado, 80 anos, que um das peculiaridades de Catanã era ao ver a foto da vítima e expressar euforicamente: “já estou com raiva”.
Na capital piauiense, o perito criminal Delfino Vital da C. Araújo, que conheceu o temível pistoleiro, fez uma retrospectiva de sua história, informando que a prisão do mesmo ocorreu no início da década de 60, em Fortaleza, e fora recambiado para a capital piauiense pelo tenente Veras, acusado de matar um motorista de um jipe, para roubar o veículo, nas proximidades da cidade de Demerval Lobão, município metropolitano da capital do Estado. O serviço de inteligência da Secretaria de Segurança, suspeitando que o mesmo tinha outros envolvimentos, abriu uma linha de investigação, oportunidade em que foi descoberta a vida pregressa daquele a que era argüido a própria personificação do Mal, ou imbatível pistoleiro.

Uma entrevista sobre o bandido foi publicada, na época, em reportagem de Deoclécio Dantas, para o jornal Folha da Manhã, artigo que está contido em seu livro Dá Licença, Editora Halley, edição 2001. Nele, o jornalista esclarece que em tempos idos teve oportunidade de entrevistar, na penitenciária de Teresina, hoje abrigando o estádio Verdão, o temível pistoleiro, condenado a 30 anos de reclusão, mas incluído na soma de detentos de bom comportamento carcerário. Vivia cercado de livros com intuito de estudar o curso de direito e demonstrava arrependimento das vidas ceifadas, muitas delas pelo prazer de “ver a capemba do olho virar”. Segundo o jornalista, após a publicação da longa matéria, Catanã fora denunciado por um outro presidiário, de que aproveitava as saídas nos finais de semana para continuar a prática delituosa (matar gente), e que acabara de assassinar um policial na cidade de Macau, Rio Grande do Norte, fato comprovado na época pela investigação do capitão Astrogildo Sampaio, designado pela Secretaria de Segurança Pública. Catanã, que vinha sendo investigado pela Polícia piauiense, foi encontrado morto, numa casa no bairro Piçarra, vítima de envenenamento, como queima de arquivo ou desavença pela partilha do lucro, deixando incompletas páginas de um novo inquérito e observações pela crônica policial: o crime de pistolagem continuará um continente sem fronteiras, um território sem lei, envolto em uma seqüência de fatores ligados à questão sócio-econômica, freqüente em Estados como Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, onde o silêncio é garantia de vida para a população menos favorecida”.

Por Guaipuan Vieira é poeta, Membro da Associação Cearense de Imprensa e da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará –AMLECE -cadeira nº 02















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