quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O SALVO-CONDUTO DE "BARREIRA"

Por Sálvio Siqueira







                                    Foto do ex cangaceiro Barreira - blogdomendesemendes.blogspot.com





                          Após a morte de Lampião, chacinado juntamente com mais dez cangaceiros na grota do Riacho Angicos, em terras sergipanas, a margem direita do Rio são Francisco, em 28 de julho de 1938, as dificuldades, que já eram muitas, ficaram insuportáveis para o restante dos cangaceiros.

                          O 'Rei Vesgo' era a mola mestre em todos os aspectos que dizem respeito a sobrevivência da horda durante os quase vinte anos em que comandou o Cangaço. Tinha seus contatos fornecedores em várias localidades dos Estados nordestinos por onde passou. Sabia onde mandar buscar o que, e a quem, fosse preciso para abastecer seus 'cabras'. Tornou-se, de certo tempo em diante, um comerciante. Comprava munição e armas, caras, mas, sabia repassar ganhando bem.

                          Uma das maiores realizações guerrilheira que o 'Cego' fez, foi a divisão do grupo em sub grupos. Facilitava seus deslocamentos, escondiam-se melhor os vestígios e enganava-se os comandantes de volantes, deixando-os com várias informações de diferentes lugares ao mesmo tempo.

                           Em um desses sub grupos, no qual tinha como chefe o cangaceiro Português, faziam parte dois 'cabras' de alcunhas 'Atividade', tido como o castrador do grupo ou seja, especializou-se em castrar suas vítimas, e o companheiro Barreira.

                                     Foto do cangaceiro Potuguês -  blogdodrlima.blogspot.com

                                             Em determinadas literaturas são mostradas a data de que Barreira teria se entregado no dia 5 de junho de 1938. Agora, no livro do ilustre pesquisador/historiador Luiz Ruben, "Fim do Cangaço: As Entregas", lançado no último evento do Cariri Cangaço, Piranhas 2015, entre 25 a 28 de julho, essa data vem, acompanhada de jornal da época, "Jornal de Alagoas",sendo sua edição datada de 9 de setembro de 1938, referindo que a data do assassinato de Atividade e a entrega de Barreira ocorreram em 5 de setembro de 1938.

                                            Foto do cangaceiro Barreira preso - tokdehistoria.com.br



                                          Foto do cangaceiro Atividade - hid0141.blogspot.com





                               Foto do cangaceiro Barreira na hora da entrega 
                                   com seu macabro salvo-conduto - tokdehistória.com.br




                                   Foto do cangaceiro Barreira preso - fotos.estadao.com.br








                                             Foto do ex cangaceiro Barreira - Grupo LCN



Fonte:

JORNAL DE ALAGOAS, 09 de Setembro de 1938, apud BONFIM, 2015, P. 17 - 21.

domingo, 23 de agosto de 2015

... MAIS UMA VERSÃO DO DIA "D"

Por Sálvio Siqueira
                         



                          
                         Como em outras versões, que vimos e tanto debatemos, essa é mais uma que vem adicionar-se ao fatídico dia 28 de julho de 1938. 

                                 No dia 05 de janeiro de 1997, os repórteres do Jornal do Commercio, da cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco, Vladimir Calheiros e Roberto Gonçalves, fazem uma entrevista com o Sr. Francisco José Leandro da Silva, mais conhecido como Zé Bengo. A mesma é lançada pelo citado jornal em um dia de Domingo, 19 de janeiro de 1997. Reportagem inédita para muitos daqueles que vaquejam os 'rastos' das veredas da história do Fenômeno Cangaço.

                                                         Mais uma vez devemos filtrar as informações cedidas pelo canoeiro, como já filtramos de volantes, cangaceiros e coiteiros.
                                                          A reportagem trás o título "Bengo diz como volante matou Lampião", ei-la:





















Material cedido, gentilmente, pelo nosso amigo Geraldo Julio ( Geraldinho de Geraldo do Campo)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ADOLESCÊNCIA DE UM PROSCRITO





Por Sávio Siqueira


                                             Foto de Virgulino Ferreira da Silva com seus dez anos de idade-
                                                            portaldocangaco.blogspot.com






                              No sopé da Serra Vermelha, no sítio Passagem das Pedras, na margem do riacho São Domingos, no município de Vila Bela, no Estado pernambucano, lá pelo meado do ano de 1897, nasce uma criança e lhe dão o nome de Virgolino Ferreira da Silva. Segundo alguns historiadores, o terceiro filho de Maria Sulena da Purificação e segundo do Sr. José Ferreira dos Santos(Silva).



                                          Local com os escombros da casa em que Virgulino Ferreira Nasceu


                                                     Naquele tempo, passou a fazer e desfrutar daquilo que toda criança desfrutava e fazia nas terras do semiárido sertanejo. Na maior parte do tempo, vivia na casa de sua avó materna, casa de avós é sempre mais gostoso, até começar a ficar taludinho. Nas campinas, ia pegar passarinho, caçar, colher e desfrutar dos frutos das árvores ali, embaixo das fruteiras, onde parece que o fruto fica mais saboroso, tomar banho nos poços que a enchurrada deixou no leito do riacho São Domingos, enquanto pastorava os animais. Até chegar o tempo de ir para a escola. Junto com seus irmãos mais velhos, Antônio e Livino, passa a frequentar as aulas e nota-se que destaca-se em comparação as outras crianças. Segundo pesquisa de historiadores, ele chega a chamar a atenção do professor, pelo seu desenvolvimento no aprendizado. Outro fato que vem chamar atenção, é de que nenhum fato, até hoje, fora escrito como que os 'Ferreira', Antônio, Livino e Virgolino, tenham sido briguentos na escola, no sítio, na vilas ou cidade e sempre mantinham respeito pelos mais velhos... Pelo menos que saiba, nada sobre, li ou ouvi dizer.

                                                    Filho de casal pobre, neste mundão de Deus, tem que "pegar no batente" logo cedo. Passa a fazer os afazeres na propriedade rural, enquanto seu pai estava fora. Seu pai era um almocreve, transportava cargas de alimentos, tecidos e objetos nos lombos dos seus burros. Logo, logo, a criança, Virgolino, passa a seguir seu pai em suas longas caminhadas, aprendendo a profissão.

                                                    Virgolino não podia ver um pedaço de jornal, uma revista, um livro ou mesmo a bula de algum remédio, que devorava suas letras em busca de saber o que nelas estavam escrito. Aprendeu a tocar fole, sanfona, a arte de artesão em couro, essa foi, creio, pelo seu atual meio de vida. Muitos animais com suas cangalhas e arreios, e sabendo, ele mesmo consertava quando alguma reata quebrava, até nos acampamentos onde paravam para descansarem. Fazia versos, cantarolava prosas e músicas da época. Foi formando um corpo esquio, moreno e com agilidades para idade, já chamava a atenção das moças da região. Gostava de forró e, segundo alguns escritores, era um cabra  bom dançador.





                                                     Quando o jovem contava com seus 17 anos, seus familiares o deixam tomando conta dos animais e vão a uma Romaria em Juazeiro no Ceará, isso na segunda metade de 1915. Sua parentela retorna e ele fazendo o relatório dos dias em que ficou tomando conta do sítio, diz ao pai e irmãos, que deu por falta de alguns dos animais. Dias depois, junto ao tio Manoel Lopes, que era inspetor de quarteirão, vagam pela caatinga em busca de rastros ou restos dos animais desaparecidos. Após muitas horas de busca, veem vestígios de uma terra que tinha sido removida há pouco tempo. Cavam e encontram várias peles de animais, nas quais, tem a marca que as identificavam de que seria da sua família. Naquele tempo, além do ferro usava-se uma  marca, específica na orelhas das criações. Estava aí o motivo dos sumiços dos animais, alguém estava roubando, matando, vendendo, ou comendo, a carne e guardando o couro para dar fim depois.





                                             Foto com Virgulino Ferreira da Silva com 20 anos de idade-
                                                           portaldocangaco.blogspot.com









                                                     O local em que foi encontrada as provas do roubo, ou seja as peles dos animais, ficava dentro das terras da fazenda Pedreira, a mesma tendo como proprietário o Sr. Saturnino Alves de Barros. Próximo a casa de um de seus vaqueiros, morador, Zé Caboclo. As provas levam o inspetor de quarteirão a prender Zé Caboclo e um 'sócio' que com ele andava, chamado Tibúrcio. São amarrados e levados para pequena cidade de Ingazeira. Lá depois de um bom 'réla' e a advertência que não deveriam continuar fazendo o crime, os libera e os manda embora. Insatisfeitos e envergonhados pelo descobrimento do que andavam fazendo, ao chegarem na fazenda Pedreira, vão queixar-se ao dono, contando a sua versão. O dono da fazenda Pedreira, homem justo e sério, já estava com idade avançada. Tinha os Ferreira como amigos e assim continuou.


                                                       Os filhos daqueles que têm posse, na maioria das vezes, tentam sempre deixar os de pouco recurso por baixo. O ancião Saturnino, tinha um filho que enquadrava-se exatamente nesse perfil. Arrogante, queria sempre machucar os outros. A fazenda de seu pai era maior e com mais desenvolvimento financeiro do que o sítio Passagem das Pedras de José Ferreira. Por isso, quando o pai de Virgolino vai a fazenda Pedreira relatar o que estava acontecendo com seus animais, o filho do dono da fazenda Pedreira, José Alves de Barros, conhecido por todos como Zé Saturnino, tendo escutado o que os dois senhores conversavam, salta de lá e diz para o pai que pode deixar que ele tomará as providências nesse caso. Diz também que errado são os Ferreira andar em sua terras e, que Zé Caboclo não tem culpa nenhuma.

                                                       Naquela época não se faziam cercas dividindo os limites das propriedades. Os animais pastavam livres nas 'soltas'. A tarde voltavam para o terreiro das casas dos donos, pois estes os davam sempre uma ração extra, no caso das criações, com certeza, seria um punhado de milho. Com isso, pelo instinto, os animais sempre retornavam no ocaso de cada dia, para receberem sua 'ceia'. 


                                       Foto dos escombros da casa da fazenda Pedreira do velho Saturnino-
                                                                               blogdodrlima.blogspot.com
 
                                                       O inspetor de quarteirão, Manoel Lopes, foi ao encontro de Zé Saturno no dia da feira de Vila Bela. O encontrando, referiu sobre o acontecido em suas terras, ou em terras de seu pai, praticado pelo vaqueiro Zé de Caboclo e seu 'sócio'. Em vez de agradecer, Zé Saturnino diz muitas para o inspetor e o ameaça, dizendo que falará com pessoas influentes, autoridades políticas, e o tirará do cargo e colocará outra pessoa.

                                                       Ainda hoje comemora-se com muita festa a data da padroeira das cidades interioranas. Naquele tempo, próximo da data da Festa da Padroeira de Vila Bela, toda a população está em euforia para festeja. Seguindo com os preparativos, primeiro mandam fazer suas roupas. Não havia roupas feitas, comprava-se o tecido na metragem adequada e mandava-se fazer. Para as mulheres tinham as costureiras e para os homens os Alfaiates. Antônio Ferreira mandou uma determinada pessoa fazer sua roupa, terno, para poder, também ir pois iriam todos, festejar. Ao vir com sua roupa encontra-se com o tal vaqueiro dos Saturnino, Zé de Caboclo, e após muito xingamento, saltam dos animais e vão as facas. Alguns autores referem esse fato como sendo na ida de Antônio pegar a roupa. Depois de grande jogo de facas, termina por cair no chão a faca do vaqueiro. Este salta na cela de sua montaria e pica-lhe as rosetas das esporas indo embora. Antônio, guarda sua arma branca e, também montando, vai para casa. Sem nada dizer aos pais, Antônio segreda apenas para  Livino e Virgolino, junta seus irmãos e parte em busca de Zé de Caboclo, mas, esse entrou num 'buraco no chão', e não conseguiram encontrá-lo. Seu pai, ao tomar conhecimento do que se passava, saí em busca dos filhos e os encontrando, aconselha a deixarem de lado. Trás os três de volta para casa e naquele ano ninguém da família Ferreira foi festejar na Festa da Padroeira.

Daí pra frente, aquela região pegou 'fogo'. Mas, isso, contaremos depois...






domingo, 16 de agosto de 2015

TENENTE JOÃO LIRA


Por Sálvio Siqueira



                                                           Foto do volante João Gomes de Lira



                                                     O incansável pesquisador Aderbal Nogueira, considerado o 'Benjamin Abrahão" dos tempos modernos, mais uma vez, nos trás um depoimento de um grande homem. Ex volante, João Gomes de Lira fez parte da Força de Elite formada pelo grande Manoel Neto. no depoimento do Tenente João Lira, notaremos o quão era valente Manoel Neto. Chego a pensar, meus amigos, que a valentia de um homem como Mané Fumaça, beirava a loucura. Ô cabra 'brabo' da gota serena.

                                                    Trago aos amigos, que se deleitem, o depoimento com mais um daqueles que já se foram, mas, que pela lente memorável da câmera do um apaixonado pelos fatos do Fenômeno Cangaço, ficou registrado para a eternidade. sensacional, o tenente cantando os versos feito por Lampião.


Mais uma grande produção aderbalvídeo. Divirtam-se






sábado, 15 de agosto de 2015


O RASTEJADOR


Por Sálvio Siqueira


                                                          O rastejador foi  uma das peças mais importantes no combate aos cangaceiros naqueles idos tempos.

                                                          Sabendo seguir 'rastos' que os outros não viam, ele levava as tropas volantes no encalço dos bandidos e também sabiam como encobrir os seus rastros. Por isso, eram muito perseguido pelos cabras. Onde os cangaceiros soubessem que morava um, a ordem era para dar fim. Todos os comandantes de volantes tinham que ter os serviços prestado por um rastejador. Abaixo veremos um vídeo com os relatos de dois deles. Veremos como eram tratado os ferimentos, usando-se exclusivamente a flora da caatinga e, como a mesma, dava condições de sobrevivência. Bastava saber qual planta ou árvore, estavam bem ali... Vídeos/depoimentos com a produção de Renzo Taddei...











quinta-feira, 13 de agosto de 2015

RIXA ENTRE FAMÍLIAS

CARVALHO-NOGUEIRA X PEREIRA


 Por Sálvio Siqueira




                                                   Curso do rio Pajeú - pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com


                                        O domínio territorial, naqueles idos tempos, era significativo para o destaque de alguns em relação a maioria das outras pessoas. Possuir muita terra, várias fazendas, também significava comandar a 'vida' daqueles que em sua volta sobreviviam. 

                                        Em determinada localidade quando dois ou mais senhores tinham essas posses, normalmente iniciava-se uma guerra particular entre eles e pra eles. Com isso, sobrava sempre para os menores proprietários que, dependendo do local da sua pequena propriedade, tinham porque tinham que aliar-se ao mais próximo. A partir daí, de um lado tinham seus aliados que, de uma ou de outra forma, lhes ajudavam, no entanto, os adversários do grande proprietário, tinham-no como inimigo e, muitas das vezes, sem conseguir ferir, matar e ou castigar seu inimigo maior, descontava nas costas dos pequenos.


                                                   Foto de terras do Sertão nordetino - www.poesiafaclube.com




                                                   Foto de uma casa de Taipa - www.youtube.com


                                        Desta maneira aconteceu nas plagas e rincões do Sertão do Pajeú, interior do Estado de Pernambuco, no ocaso do século XIX para o início do século XX, com duas famílias, colonizadoras, deste Leão do Norte.

                                        Trata-se das famílias Pereira e Carvalho. Citando essas duas famílias, queremos mostrar como eram que todos e em todos os lugares dos sertões nordestino faziam. O que tentaremos transmitir para o amigo que nos acompanha, é uma 'amostra' daquilo que acontecia com todas as famílias de poder, sem tirar nem colocar nada. Os Pereiras e os Carvalhos, nada fizeram que as outras famílias, do mesmo porte e domínio, também não tenham feito.





                                        Em determinada época, migram para o Sertão do Pajeú, uma família, vinda dos torrões baianos, e se estabelecem na Fazenda Barra do Exu, no município da então Vila Bela - PE, hoje Serra Talhada, tendo como seu patriarca o Sr. Francisco Alves da Fonseca Barros. A partir desse ponto, estava plantado o 'tronco' dos Carvalhos. Ao longo do tempo, espalham-se e seus domínios atravessam fronteiras municipais e estaduais, conseguindo estenderem-se os mesmos, aos municípios, além do de Vila Bela, aos de Mirandiba, Belmonte, Cabrobó e Itacuruba.






                                                                                                          Foto de um Carvalho(árvore) - www.belemcrentes.com.br






                                        Antes, porém, também tendo migrado das terras do Estado baiano, o Sr. José Pereira da Silva, um português, que se arrancha no município da Exu - PE, e, não conseguindo ancorar sua 'Caravela' nele, perambula pelos municípios de Bom Nome em Pernambuco e Inhamuns no Ceará. Até dar-se então o casamento do mesmo com uma herdeira das terras da Fazenda Carnaúba, localizada no município de Vila Bela- PE, onde se estabelece. Com o passar dos anos, sua prole é largamente elastecida e seus domínios iam aonde as vistas alcançavam. Possuidores de léguas e léguas de terras, escravos e, segundo alguns escritores, muito ouro. Um de seus descendentes recebe as medalha de Comendador da Imperial Ordem da Rosa e de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Ficando, a partir de então, conhecido como "O Comendador", o qual gerará um filho, que na história ficará conhecido como o Barão da Pitombeira, por ser dono de uma fazenda de nome Pitombeira, e mais tarde, por Barão do Pajeú.



                                               Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú) Data: De 1892 a 1895 -
                                                                       www.fundacaocasadacultura.com.br



                                         Abrimos aqui um parêntese para falarmos de uma outra família, que no futuro, se entrelaça nas famílias Pereira e Carvalho. Trata-se da família Nogueira ou Barbosa Nogueira. Descende também de um português chamado Francisco Barbosa Nogueira, dono de uma grande e conhecida fazenda denominada Escadinha, por isso, todos o conheciam popularmente como Barbosa da Escadinha.

                                         Três troncos, três âncoras, três árvores genealógicas que farão parte, num futuro próximo, de uma das sagas mais sangrentas da história nordestina. Antes, caros amigos, fiquem cientes de que, por serem os senhores destas famílias, donos de tudo, naquela região do semiárido nordestino, na época, as três descendência se entrelaçam. Se misturam, tornando-se ou gerando-se, muita vezes, em um herdeiro dos três sangues.

                                          A política, como sempre, e não poderia ser diferente, está entrelaçada na vida dos homens. Principalmente daqueles que tem, de algum modo, poder sobre os outros. A família Carvalho e a família Nogueira fazem parte do Partido Liberal, sendo, no momento seus adversários, a família Pereira, que eram do Partido Conservador. Por aquelas datas, ocorrem vários movimentos com espingardas em mãos, servindo de ofício para muitos. Citamos alguns desses movimentos que envolvem-se em ideias separatistas, contrária as dos republicanos, tornando-se a primeira como revolucionárias, isso lá pelos anos de 1817, no Segundo Reinado Imperial. Entre 1832 e 1835 tivemos a Cabanada, já nos idos 1848 descambando para 1849, a tão discutida e estudada, Revolução Praieira, até meus caros, nas terras paraibanas, em sua região sertaneja, eclodir, em 1874, a Quebra- Quilos, que estende-se pelos Estados vizinhos.



                                            Revolução Praieira: o levante que se pôs contra o governo de Dom Pedro II
                                                             www.brasilescola.com









                                         Voltemos as famílias. Em 1838, Francisco Alves de Carvalho, ligado ao tronco Carvalho-Nogueira, manda assassinar o, então, capitão-general das Ordenanças de Flores, Joaquim Nunes de Magalhães, correligionário da família Pereira. Em represália, Manoel Pereira da Silva, que era cel da Guarda Nacional na ocasião, ataca os Nogueira e os Carvalho. Sendo o ataque revidado a altura pelas famílias conjuntas. Na ocasião os Pereira, por força política, ficaram na legalidade, pois faziam parte do Partido Conservador. Nisso, o chefe atual da família Pereira, Manoel Pereira da Silva é nomeado delegado da Comarca da Pajeú de Flores, hoje Flores, assumindo a vaga do deposto Herculano Ferreira Pena, pelo governador do Estado de Pernambuco.

                                         Mas, meus amigos, mesmo tendo sido uma ação com ordem direta da maior autoridade do Estado, não foi moleza cumprir-se sua decisão. Francisco Barbosa Nogueira Paz, do Partido Liberal, segura um fogo contínuo durante dois dias a fim de impedir que o cargo fosse assumido pela pessoa da família Pereira. Após dois dias de intenso tiroteio, Simplício Pereira da Silva, ciente do que estava a se passar na cidade, reúne seus cabras na fazenda e parte em socorro do familiar, e só assim, com sua ajuda, o novo delegado é empossado.

                                          Pronto, guerra declarada abertamente entre eles. De um lado o Partido Liberal, tendo como chefes os tenentes-coronéis Serafim de Souza Ferraz e Francisco Barbosa Nogueira Paz, fazendo oposição direta, com fogo e bala, aos do Partido Conservador, coronéis da Guarda Nacional, os irmãos Manoel e Simplício Pereira. A velha Pajeú de Flores assim como a região da Serra Negra, juntamente as margens do Riacho do Navio, transformam-se em palcos de lutas, dores, sangue, lágrimas e vinganças constante, só amenizando quando Nogueira Paz, tomba pelas balas mortais dos Pereira, os quais também conseguem deter e prender Serafim Ferraz nos idos de 1849.

                                          Assim, de tempos em tempos, sempre aconteceram tiroteios com várias vidas tiradas, entre essas famílias. Quando o Partido Político que uma segue, está no poder, conseguindo "vencer" as eleições, o outro lado, o lado derrotado, a outra família, que se aguentasse...  pois vinha chumbo quente por aí.

















quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A REVOLTA DOS NAZARENOS



Por Sálvio Siqueira


                                                                                     Cidade de Nazaré






                                       Após a 'Revolução' de 1930, com a vitória dos revolucionários, as coisas começaram a andar, de um modo geral, para trás em relação aos bravos nazarenos que tantos serviços prestaram ao Estado pernambucano.
O governador Estácio Coimbra é deposto e se exila no exterior, juntamente com seu chefe de gabinete Gilberto Freyre. O tenente, na ocasião, Manoel de Souza Neto, os acompanha ao Rio de Janeiro, Capital do País, e não seguindo seu superior, é preso, nas imediações da Praça da República, pelos revolucionários e quase é enforcado pelos mesmos.

                                                                  Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com
 


                                      O novo Governador de Pernambuco era Carlos de Lima Cavalcanti, o qual nomeou Muniz Farias o novo Comandante da Polícia Militar, com isso, o quadro político do Estado, teve uma mudança radical. Os nazarenos tinham o novo comandante como "um homem rancoroso e desumano".

                                       Os nazarenos que se encontravam na Bahia, na ocasião, em plena campanha contra Lampião, recebem ordens para pararem com tudo, são excluídos das tropas e são ordenados para deixarem o Estado baiano o mais rápido possível.


                                       Manoel Neto, já excluído da Briosa pernambucana, sentiu-se punido muito severamente por ter sido um militar tão servidor ao Estado. Chega a sentir-se humilhado pois tinha sido Ajudante de Ordem, no Palácio das Princesas, no governo anterior. Decidido, retorna ao sertão, trazendo a ideia de organizar um grupo sertanejo e partir para o enfrentamento do novo Governo.






                                                                  Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com

                                      Nazaré torna-se uma fortaleza. Seus 'filhos' em xeque, estão dispostos a defenderem e resistirem até o fim contra as novas autoridades, pois, nos meses que se seguiram, foram com a intervenção,  perseguidos, presos e humilhados, tendo os mesmos que agirem rápido, para não serem dizimados político e militarmente.


                                                    Força volante comandada por Manoel Flor - Cariricangaço.blogspot.com

                                       Com a atitude do novo governo de Pernambuco, leva a massa dos nazarenos a tomarem esse tipo de ação, cogitando um movimento até chegarem a passarem para ilegalidade e usarem as táticas que os cangaceiros usavam nas brenhas das caatingas dos estados vizinhos ao de Pernambuco. O símbolo maior, na ocasião, foi o Mané Fumaça. Manoel Neto diz em alto e bom som que "Nazaré não se dobraria jamais", escutando esse juramento, os nazarenos passam a tê-lo como líder. Com o passar do tempo, o novo Governo pernambucano, aperta mais a rosca, e os nazarenos decidem em dividirem a população apta à batalha em grupos de cem pessoas e adentram nos rincões dos tabuleiros da Paraíba, Alagoas, Ceará, Bahia e Sergipe. Isso tudo por que em princípios do ano de 1931, o novo governo manda que se desarme toda a população. O líder, Manoel Neto, sendo porta voz do povo de Nazaré, diz que jamais os nazarenos entregariam suas armas, "deveriam mesmo enfrentar o governo até o último homem, deixando na história o nome de Nazaré com seus filhos que tantos serviços haviam prestado na campanha contra o banditismo"(LIRA, João Gomes de. Memórias de um soldado de volante, 1ª edição, pág. 478).


                                                                 Foto com quatro nazarenos - cariricangaço.blogspot.com


                                    Os conselheiros do novo Governo, vendo a coisa engrossar, orienta o Governador a repensar o caso. Não seria nada proveitoso ter centenas de nazarenos, armados e em um habitat que conheciam como ninguém, como adversários. Conteporizando o Governo, as negociações são iniciadas. Os de Nazaré impuseram suas condições. tinham que reincorporar Manoel Neto na Força Pública, assim como toda sua família também seria reincorporada e quem mais desejasse servir. Proposta feita e, como não poderia ser diferente, aceita. 

                                     Depois de amargarem as perseguições, ameaças e ostracismo, voltam os nazarenos a serem os fiéis guardiões, com a vantagem de serem, dessa vez, a partir de então, funcionários públicos estaduais.