quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O BODE PRETO DO SERIDÓ


 
Por Sálvio Siqueira


                      Coronel João Damasceno Pereira de Araújo - O Bode Preto do Seridó



Na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte, existiu um líder político chamado João Damasceno Pereira de Araújo, filho de Antonio Pereira de Araújo, e de Maria José de Medeiros, Antônio, filho por sua vez de João Damasceno Pereira,  3º filho do 1º Tomaz de Araújo Pereira, e Maria José de Medeiros, filha do 3º Tomaz de Araújo.


O velho Tomaz de Araújo Pereira(3º), que já se achando cego, achou por bem casar a neta Tereza, a quem criava, com João Damasceno que tinha 15 anos.


                                            Casa Grande da Fazenda Saco do Marins
                                                          Foto :     George Stephenson Batista  

O destemido, ou temido 'coronel', fez de sua primeira residência a fazenda Bulhões, no Acari, localizado na bacia do Gargalheiras. Ali, manobrou, desdobrou, fez e desfez com suas "ordens e ações". Foi um verdadeiro chefão político nas terras acariense até passar, em 1868, seu poder político para o
Coronel Silvino Bezerra de Araújo Galvão, que além de afilhado, era seu sobrinho. Nada diferente do que outros, muitos, coronéis fizeram sucessivamente na 'mantença' do poder regional. 


O Governador do rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, nos passa os seguintes aspectos sobre o coronel:
"- alto, forte e notável cavaleiro, era muito respeitado, em todo o Seridó, por suas qualidades de caráter e por sua energia. A estima que gozava entre os seus parentes, e o respeito que soube manter junto ao povo durante sua longa vida, o consagrou como um dos legítimos patriarcas seridoenses(...)neto de Tomaz de Araújo Pereira, primeiro presidente do Rio Grande do Norte, após proclamada a independência do Brasil, irmão do Padre Tomaz Pereira de Araújo, Deputado provincial do Rio Grande do Norte, nos períodos de 1835/37, 1838/39, 1840/41, 1848/49 e 1860/61 e vigário de Acari, durante mais de sessenta anos, concorreu para firmar seu prestigio, que soube manter por uma linha de conduta firme e igual, enquanto viveu(...) ".

                                         
                                            Casa Grande da Fazenda Saco do Marins
                                                           Foto :     George Stephenson Batista  


Manoel Rodrigues de Melo, também faz alusão sobre o famoso chefe político, através do seu livro “Patriarcas e Carreiros ": "(...)João Damasceno era alto, forte, de força agigantada. Fazendeiro, rico, poderoso, dono de muitas terras, possuindo cabroeira numerosa e organizada, era, no seu tempo, uma das maiores influências políticas no município de Caicó(...)".

Em certa época, naquelas quebradas, no Saco dos Martins, apareceu um certo tipo pedindo-lhe apoio e proteção. O coronel, depois de saber sua 'graça', também ficou ciente de que o mesmo andava escondido, nas serras, usando as grutas com refúgio, por estar sendo perseguido por crimes que cometera.

Tratava-se do cangaceiro 'Pereirão'. O coronel deu-lhe apoio e proteção. colocando-o em suas terras, onde seu poder era total, nada nem ninguém tocava nele. antes de dar-lhe guarida, o chefe passa-lhe as coordenadas de como deverá comportar-se e agir daquele momento em diante.

'Pereirão' era meio maluco, não ligava pra nada, nem com nada se importava. Por diversas vezes foi repreendido pelo coronel, porém, foi não foi, saia da linha. Tanto que chega um momento que é 'despedido', mandado, pelo próprio coronel ir-se embora.

Ficando na região, começa a aprontar das suas e, o pior, lasca a língua no mundo, descendo o 'cacete' em Damasceno, proferindo insultos e outras mais...

O coronel Damasceno não era do tipo que ficava em sua Fazenda, sentado/deitado na 'preguiçosa', embaixo do alpendre, só mandando. Pelo contrário, era afoito, corajoso e costumava estar a frente de suas empreitadas. Quando soube do que Pereirão andava a dizer e a fazer com o povo da região, seus 'protegidos', resolve prende-lo. aproxima-se do cangaceiro e grita seu nome. Pereirão vira-se devagar e estende-lhe a mão. Nesse momento o coronel, ao pegar-lhe a mão, dar-lhe uma chave e o derruba no chão. Pede que alguém traga-lhe uma corda e amarra o azarada cangaceiro.

                                                 
                                            Casa Grande da Fazenda Saco do Marins
                                                          Foto :     George Stephenson Batista  

Depois de amarrado, o cangaceiro e levado para a Fazenda Saco do Martins debaixo de muita pancada. Lá chengado, os homens do coronel dão um "trato especial" em Pereirão. O coronel manda três de seus homens de confiança levarem o prisioneiro para a cadeia de Caicó. Naquela cidade norte rio-grandese, chega a notícia que chegará, preso e amarrado, um caganceiro procurado, pelos homens do coronel Damasceno. A notícia chegou, porém, até hoje, espera-se a chegada do cangaceiro Pereirão naquela localidade.as autoridades, através do Alfere da Comarca, manda dizer ao coronel que fará uma visita as suas terras, afim de fazerem uma investigação. O coronel manda a resposta, pelo mesmo portador:
“Diga ao Alferes que o Saco do Martins só tem uma entrada e não tem por onde sair”. 




Imaginem se o Aferes, ou outra pessoa qualquer,  foi 'farejar','fuçar', alguma coisa naquela propriedade? 

Outros 'causos', sobre esse personagem, contaremos depois, "pro'cês" apreciarem...


Fonte: Ob ct.

Foto:  arissonsoares.blogspot.com
           
         www.romeudantas.com





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