quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A REVOLTA DOS NAZARENOS



Por Sálvio Siqueira


                                                                                     Cidade de Nazaré






                                       Após a 'Revolução' de 1930, com a vitória dos revolucionários, as coisas começaram a andar, de um modo geral, para trás em relação aos bravos nazarenos que tantos serviços prestaram ao Estado pernambucano.
O governador Estácio Coimbra é deposto e se exila no exterior, juntamente com seu chefe de gabinete Gilberto Freyre. O tenente, na ocasião, Manoel de Souza Neto, os acompanha ao Rio de Janeiro, Capital do País, e não seguindo seu superior, é preso, nas imediações da Praça da República, pelos revolucionários e quase é enforcado pelos mesmos.

                                                                  Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com
 


                                      O novo Governador de Pernambuco era Carlos de Lima Cavalcanti, o qual nomeou Muniz Farias o novo Comandante da Polícia Militar, com isso, o quadro político do Estado, teve uma mudança radical. Os nazarenos tinham o novo comandante como "um homem rancoroso e desumano".

                                       Os nazarenos que se encontravam na Bahia, na ocasião, em plena campanha contra Lampião, recebem ordens para pararem com tudo, são excluídos das tropas e são ordenados para deixarem o Estado baiano o mais rápido possível.


                                       Manoel Neto, já excluído da Briosa pernambucana, sentiu-se punido muito severamente por ter sido um militar tão servidor ao Estado. Chega a sentir-se humilhado pois tinha sido Ajudante de Ordem, no Palácio das Princesas, no governo anterior. Decidido, retorna ao sertão, trazendo a ideia de organizar um grupo sertanejo e partir para o enfrentamento do novo Governo.






                                                                  Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com

                                      Nazaré torna-se uma fortaleza. Seus 'filhos' em xeque, estão dispostos a defenderem e resistirem até o fim contra as novas autoridades, pois, nos meses que se seguiram, foram com a intervenção,  perseguidos, presos e humilhados, tendo os mesmos que agirem rápido, para não serem dizimados político e militarmente.


                                                    Força volante comandada por Manoel Flor - Cariricangaço.blogspot.com

                                       Com a atitude do novo governo de Pernambuco, leva a massa dos nazarenos a tomarem esse tipo de ação, cogitando um movimento até chegarem a passarem para ilegalidade e usarem as táticas que os cangaceiros usavam nas brenhas das caatingas dos estados vizinhos ao de Pernambuco. O símbolo maior, na ocasião, foi o Mané Fumaça. Manoel Neto diz em alto e bom som que "Nazaré não se dobraria jamais", escutando esse juramento, os nazarenos passam a tê-lo como líder. Com o passar do tempo, o novo Governo pernambucano, aperta mais a rosca, e os nazarenos decidem em dividirem a população apta à batalha em grupos de cem pessoas e adentram nos rincões dos tabuleiros da Paraíba, Alagoas, Ceará, Bahia e Sergipe. Isso tudo por que em princípios do ano de 1931, o novo governo manda que se desarme toda a população. O líder, Manoel Neto, sendo porta voz do povo de Nazaré, diz que jamais os nazarenos entregariam suas armas, "deveriam mesmo enfrentar o governo até o último homem, deixando na história o nome de Nazaré com seus filhos que tantos serviços haviam prestado na campanha contra o banditismo"(LIRA, João Gomes de. Memórias de um soldado de volante, 1ª edição, pág. 478).


                                                                 Foto com quatro nazarenos - cariricangaço.blogspot.com


                                    Os conselheiros do novo Governo, vendo a coisa engrossar, orienta o Governador a repensar o caso. Não seria nada proveitoso ter centenas de nazarenos, armados e em um habitat que conheciam como ninguém, como adversários. Conteporizando o Governo, as negociações são iniciadas. Os de Nazaré impuseram suas condições. tinham que reincorporar Manoel Neto na Força Pública, assim como toda sua família também seria reincorporada e quem mais desejasse servir. Proposta feita e, como não poderia ser diferente, aceita. 

                                     Depois de amargarem as perseguições, ameaças e ostracismo, voltam os nazarenos a serem os fiéis guardiões, com a vantagem de serem, dessa vez, a partir de então, funcionários públicos estaduais.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

 O CANGACEIRO DAS ÁGUAS


Por Sálvio Siqueira





                                        No dia 26 de julho do ano de 2015, num dia de domingo pela manhã, tempo fechado, de quando em vez uma chuviscada para refrescar, na capela da fazenda Maranduba, no município da cidade de Poço Redondo, no Estado sergipano, tive o prazer de conhecer o ilustre pesquisador Aderbal Nogueira. Quis o destino que nos conhecêssemos as margens do local onde aconteceu uma das maiores batalhas entre volantes e cangaceiros.


                                          As matérias com termos polêmicos, são uma marca registrada do amigo pesquisador. Não que queira aparecer, mas, com intuito de fazer-nos refletir e pesquisar mais aprofundadamente sobre o assunto. Vemos que após uma boa análise em debate, ficamos com maiores conhecimentos, pois, são relatados fatos que não diríamos num bate papo normal, e sim, num acalorado explanatório. O ser humano tem por natureza, o costume de quando se encontra acuado, partir para o contra ataque, e esta, ainda é, a melhor defesa. Sabendo disso, o pesquisador explora nesse sentido.




                                       Nós, que estudamos o Fenômeno Cangaço, por várias e várias vezes imaginamos como seria o perfil corporal de determinada personagem do tema. Aderbal, com sua câmera, nos trás as imagens reais, daqueles que por lá vivenciaram. Daqueles que por desventuras quaisquer ou por ilusões criadas, entraram no negro mundo sombrio do cangaço, e talvez por uma ironia ou destreza do destino não tenham perecido por alguma bolota quente de chumbo de uma arma de fogo ou mesma pela lâmina dura, fria e, ao mesmo tempo quente, quando adentra estraçalhando nossa carne, d'uma faca peixeira ou de um punhal três quinas.

                                        Tenho um grande respeito por esse cabra da terra de Iracema. Venho, através desse nosso blog, agradecer-lhe em nome de Edinaldo Leite e em meu nome, pelo seu trabalho. Com ele, tivemos o privilégio de ver e ouvir um Candeeiro, um Panta de Godoy, uma Adília, uma Cila, um Neco de Pautília, um Zé de Cazuza e vários e vários outros personagens remanescentes das fileiras sangrentas do Cangaço.

                                         Mostraremos, abaixo, como o pesquisador joga para fora o estresse das longas caminhadas pelas veredas dos tabuleiros, chapadas, serrotes, planícies, serras e morros da caatinga sertaneja, entre xique xiques, mandacarus, juremais, rasga-beiços, urtigas...  rastejando as trilhas dos fatos históricos do cangaço. Ele busca, na aventura, fazer com que a adrenalina chegue as alturas, deixando sua mente e corpo, prontos para buscarem outras matérias. Se 'amussega' num caiaque, tendo a companhia dos amigos e seguem nas 'veredas' aquáticas balançando os remos.

O DESCANSO DO GUERREIRO  


 DESCANSO?






segunda-feira, 10 de agosto de 2015


  A SAGA DO CANGACEIRO ROMÂNTICO



Por Sálvio Siqueira








                                         Como sempre, a política faz as suas vezes e revezes na vida de muitos nordestinos. Quando uma família segue determinado partido político, e este ganha as eleições, tudo torna-se favorável para ela, a família. No entanto, quando os adversários ganham a coisa muda de figura. São trocados, mudados, juízes, delegados, representantes de todas as camadas sociais... e, para quem perdeu, a sina é viver sob o jugo dos vencedores. Eles que ditam as regras e, quem perdeu, que as cumpram...






                                       O agricultor e criador de animais,  Jesuíno Alves de Melo Calado, contava com 25 anos de idade quando um fato, vindo de um clã, família, adversária, mudou totalmente sua vida.




                          Nasceu aos 2 dias de janeiro de 1844, num local denominado Tuiuiú. Propriedade rural do município de Patu, no Estado do Rio Grande do Norte. Filho do casal Sr. João Alves de Melo Calado e de dona Alexandrina Brilhante de Alencar. Tinha a pele clara, era robusto, de uma estatura de mediana para baixa, tinha os olhos azuis, tinha os cabelos ruivos, falava manso e, segundo o padre Antônio Brilhante, era tato e ambidestro. Possuidor de boa pontaria.


                                       O 'Brilhante', inserido no sobrenome da mãe, vem de parentes cangaceiros, que viveram no sul do Estado cearense. Principalmente do seu tio materno, o cangaceiro Cabé Brilhante, José Brilhante de Alencar e Souza. Era  também parente do escritor José de Alencar.

                                      Na mesma região em que morava, vivia e cuidava dos afazeres diários, residiam componentes de um outro clã, família, de sobrenome Limão. Pois bem, partiu daí, depois de uma surra que os Limões deram em um irmão de Jesuíno, a saga daquele que ficou conhecido na história do cangaço como "O Cangaceiro Romântico".

                                        Por volta de 1866, tem início os problemas entre os dois clãs,  os Limão e os Alves de Melo Calado. Exatamente por razões políticas. A família de Jesuíno era seguidora do Partido Liberal e, em contra partida, os Limões seguiam o Partido Conservador.







                                         Lucas, irmão de Jesuíno Brilhante, em uma discussão acalorada, no meio da  rua, com Honorato Limão, terminam por saírem na porrada. Honorato desce o cacete em Lucas. Esse fato deu-se por volta  do dia de natal de 1871 na cidade de Patu - RN. Ao saber do ocorrido, Jesuíno vai tomar satisfações e acaba por matar Honorato a facadas. Após esse acontecimento, o agricultor, criador, pacato cidadão, casado com a prima Maria Carolina C. de Mello, com quem teve cinco filhos, torna-se um proscrito, caçado pela polícia do local. 


                                       Junta-se, mais tarde, a dois irmãos, Lúcio e João, e ao cunhado Joaquim Monteiro. Apesar de ser procurado pela polícia, Jesuíno diferencia-se dos bandidos comuns. Não causa danos a inocentes sertanejos, não abusa de indefesas mulheres, pelo contrário, as defende e protege. Faz seu QG numa gruta de pedra. Fica denominada, desde então, como " A Gruta do Cangaceiro".





                                         No ano de 1877, uma grande seca assola o Nordeste, sem dó nem piedade. O sol segue calcinando a vegetação e de vida, o que se escuta é o estridente cantar da cigarra na caatinga sertaneja. o Império manda para a população carente, em comboios, víveres alimentícios. Os coronéis, como sempre, seguram a mercadoria, estocam em seus depósitos e as vende as pessoas. Sabendo disso, Jesuíno e seu grupo, intercedem os tropeiros que levam as cargas de mercadorias para os armazéns dos coronéis, e as distribui para os necessitados.


                                          Segundo o pesquisador Ângelo Osmiro, em matéria no blog Cariri Cangaço, Jesuíno Brilhante era: "Um verdadeiro “Robin Hood” do sertão, roubava dos ricos para distribuir aos pobres(...), aquele que protegia as donzelas ultrajadas, fazendo casamentos, principalmente de filhos de poderosos que abusavam das filhas dos sertanejos humildes, achando que não seriam punidos ou obrigados a casar."

                                          No ano de 1874, em uma ação audaciosa, Jesuíno Brilhante, invade a Cadeia Pública da Cidade de Pombal, na Paraíba, e resgata seu irmão, Lucas Alves.





                                        José Limão, conhecido como 'Preto Limão', fazia parte de uma força policial, a qual, emboscou e atirou em Jesuíno Brilhante em dezembro do ano de 1879. O destino quis que um dos maiores inimigos do 'Cangaceiro Romântico', não só estivesse presente, mas comandasse essa tropa. Ferido no braço e no tórax, é  socorrido e levado pelos companheiros para um sítio chamado Palha. Sem ter condições de um atendimento digno, vai a óbito e é enterrado ali mesmo, no meio do mato.









PS// Imagens da armas usadas pelo cangaceiro Jesuíno Brilhante/ imagem da antiga cadeia publica de Pombal - PB/Provável local onde ficaram os emboscadores para atirarem em Jesuíno Brilhante



Fotos produto.mercadolivre.com.br
 tokdehistoria.com.br448 
Acervo do pesquisador Volta Seca
 www.onordeste.com
 aluisiodutra.zip.net397 
 oestenews-heroismo.blogspot.com480






domingo, 9 de agosto de 2015


SONHO NÃO REALIZADO 







Por Sálvio Siqueira


               M712 - CARREGADOR 20 CARTUCHOS- CORONHA DE MADEIRA E BANDOLEIRA   
                 

                                   Existiam, na época da segunda fase do cangaço, certo tipo de armas que eram, ou foram, o desejo de muitos dos cangaceiros. Inclusive seu chefe maior, aquele que mais tempo permaneceu comandando um bando de cangaceiros. Lampião.






                                         Segundo alguns historiadores, o "Rei Vesgo" tinha uma vontade danada de possuir  uma pistola igual a essa, a qual sabemos que era de uso exclusivo das forças policiais.




                                      
                                        Na foto acima, pescada no 'açude' do ilustre Kiko Monteiro, no blog Lampião aceso, mostra-nos, através de setas, o tenente João Bezerra e o Asp. Ferreira de Melo, portando essas pistolas metralhadoras,MAUSER 712 "fogo rápido" (Schenellfeur) , versão com seletor para fogo automático da Mauser C-96, era popularmente chamada de "Caixa de Pau". Essa foto é a oficial. mostrando a tropa depois do evento do riacho Angicos, onde tombaram onze cangaceiros.





     HISTÓRIA DA ARMA

                              Vimos mostrar a vocês um pouco da história do surgimento da tão obcecada arma.



                                        Um dos enganos mais comuns que existem no imaginário popular é o de que foi Peter Paul Mauser o projetista da pistola C96. Paul Mauser tinha, sob sua responsabilidade, a Waffenfabrik Mauser, um complexo fabril de alta tecnologia, herdado de seu pai, de onde saíram os mais famosos e bem sucedidos fuzis militares de repetição de que se tem notícia. 











                                     Paul Mauser nasceu em Oberndorf, perto do rio Neckar, Alemanha, em 27 de junho de 1838 e faleceu em maio de 1914. Em 1871, ele e seu irmão Wilhelm desenharam um dos primeiros fuzís militares com ação de ferrolho, o modelo 1871, de um só tiro, em calibre 11x60R, com uso de pólvora negra. Por volta de 1894, os irmãos Feederle já tinham um esboço da pistola, a qual inicialmente usaria o cartucho 7,65 mm X 25 oriundo da pistola projetada um pouco antes por Hugo Borchardt, em 1893 e cuja evolução, quando nas mãos de Georg Luger, iria levá-la a se tornar a famosíssima pistola Parabellum (Luger).






                                      
                                      Uma versão da pistola que se sobressaía, em relação as demais, era a carabina, que foi produzida em bem menor quantidade do que as pistolas e que já trazia a coronha de madeira com a empunhadura integrada, embora ela pudesse ser destacada da armação para facilitar o armazenamento.

                                     Alguns autores costumam relatar que ao tomar conhecimento dos primeiros desenhos e do projeto em si, Paul Mauser havia torcido o nariz. Afinal, tratava-se de algo inteiramente novo para ele e para a Mauser; apesar do primeiro impacto negativo, ainda assim mandou que tocassem o projeto para a frente. Em 11 de dezembro de 1895, depois de excelentes resultados obtidos em testes, "Paul Mauser registrou sua patente na Alemanha sob Nº 90430. Em seguida, ampliou os direitos de patente para inúmeros países do mundo, inclusive no Brasil, onde registrou sob Nº 2088 em 28 de julho de 1896".

                                    Em fevereiro de 1896, o grupo desenvolvedor convenceu Paul Mauser de que a arma poderia ser lançada comercialmente e entrar em linha de produção. Tanto o mercado civil como o militar de diversos países estavam na mira do pessoal da Mauser. Com o aval de Mauser, a  fábrica começou a fabricar a pistola em série, denominada oficialmente de C96 (“Construktion 96″). Neste primeiro instante, decidiu-se pela fabricação de modelos com carregadores fixos de 6, 10 e 20 cartuchos (Obs: todos os carregadores das C96 são fixos e bifilares (cartuchos alinhados aos pares), exceto nas últimas versões) e estabelecer uma mudança fundamental no cartucho empregado.







                                      Optou-se por manter as dimensões do cartucho 7,65 X 25 da pistola Borchardt, mas como a C96 oferecia uma maior resistência mecânica e uma trava de culatra muito reforçada, alterou-se a carga de pólvora então empregada e fez-se modificações no peso do projétil, criando-se assim o cartucho 7,63mm Mauser




                                       Sendo grande a variedade das versões feitas, fica inviável expor todas elas aqui. Nossa intenção é fornecer alguma informação aos amigos em relação a pesquisas e um pouco de  conhecimento.



Fonte e fotos armasonline.org